quarta-feira, 5 de julho de 2017

António Stromp, primeiro olímpico do Sporting




É bom celebrar neste dia 6 de Julho a primeira participação olímpica de um atleta do Sporting. Quantos clubes no mundo o poderão fazer? Será mesmo que existe alguma outra instituição que o possa fazer?  António Stromp, o primeiro atleta olímpico do Sporting, nasceu a 13 de Junho de 1894, em Lisboa, e era um dos sete filhos de Francisco Reis Stromp, distinto médico da época. António, o quarto descendente, tal como seus irmãos Francisco e José, fez parte dos 19 fundadores do Sporting Clube de Portugal. A 6 de Julho de 1912, nos Jogos de Estocolmo, na primeira presença portuguesa em Jogos Olímpicos, António Stromp, com apenas 18 anos de idade, integrou a comitiva portuguesa composta por seis atletas. Após o desfile inaugural, e depois de ter estado hora e meia exposto ao sol, a competição começou com as eliminatórias de 100 metros, onde ainda foi terceiro entre oito concorrentes, e quarto classificado nas de 200 metros, igualmente com oito participantes. Em relação aos méritos desportivos, precocemente ceifados com apenas 22 anos de idade, António, graças ao gigantismo da figura de seu irmão Francisco, e à veneração que existe no Sporting pela sua memória, viu ocultada a curta, mas brilhante, carreira de cidadão exemplar, e um dos mais completos e extraordinários atletas que o país conheceu na época. Do futebol ao ténis, passando pela esgrima, alinhou nas primeiras categorias da equipa de futebol do Sporting, em 1909, com 15 anos de idade. Como futebolista, foi escolhido para todas as selecções de Lisboa organizadas entre 1909 e 1916, na altura a mais representativa do país, uma vez que a selecção nacional só foi criada já depois de ter falecido. Numa deslocação ao Brasil da selecção de Lisboa, para disputar sete jogos entre 13 e 27 de Julho de 1913, participou em todos os encontros, e de tal forma se exibiu que lhe foram feitas várias propostas, que recusou, para que ficasse no Rio de Janeiro. A prova do seu real valor surgiu 19 anos após a morte, quando, em 1940, Ribeiro dos Reis nas páginas do jornal "Os Sports", iniciou um curioso inquérito: Quais foram os melhores jogadores portugueses de todos os tempos, nos diferentes postos? As perguntas foram enviadas a 45 seleccionadores, recrutados entre antigos desportistas e dirigentes. Curiosamente, para o posto de extremo-direito, dois futebolistas somaram igual número de votos (16), e ambos sportinguistas, António Stromp e Adolfo Mourão. Desportista ecléctico, António Stromp também se evidenciou no ténis e na esgrima, mas foi no atletismo, como campeão de Portugal nos 100 metros (1911, 1912 e 1913); nos 200 metros (1912); no salto com vara (recordista entre 1911 e 1925) e nas provas com barreiras, que se consagrou como uma das maiores figuras portuguesas do seu tempo. Fez o último jogo de futebol a 1 de Abril de 1916, sabendo já que fora atacado por doença incurável da época, a sífilis. Seguiram-se cinco anos de calvário, até que a terrível doença o levou com apenas 27 anos de idade. Em 1926, a 13 de Junho, dia em que nasceu, foi descerrada pelo irmão Mário, e coberta com a bandeira do Sporting, a lápide Rua António Stromp, na presença do presidente do Sporting, Pedro Sanches Navarro, e de Alfredo Guisado, representante da Câmara Municipal de Lisboa, na rua Norte do Campo Grande, onde se abria o portão que servia o campo atlético do Estádio do Lumiar.
António Stromp constitui, pois, uma das grandes referências do desporto português que é de elementar justiça destacar.

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