sábado, 1 de julho de 2017

2 de Julho de 1984: o recorde de Fernando Mamede


Depois de algumas tentativas falhadas por pouco, em 2 de Julho de 1984 consumou-se finalmente o primeiro recorde mundial da história do atletismo português.
Nesse dia Moniz Pereira conseguiu juntar Carlos Lopes e Fernando Mamede em torno do grande objectivo, numa corrida de 10.000m realizada em Estocolmo, sob condições atmosféricas perfeitas e superiormente preparada para o efeito.
Guilherme Alves, um especialista de 3000m obstáculos foi a "lebre", completando os três primeiros quilómetros em 8.16.41m, quase mais 3 segundos do que Rono havia feito no dia do seu recorde.
Aos 3500m o norte-americano Ed Eyestone assumiu o comando da corrida, mantendo um ritmo regular que permitiu um tempo de passagem aos 5Km de 13,45,40m, que já era mais rápido que os 13.49,0m feitos por Rono.
Ao quilómetro 7 Carlos Lopes tomou a dianteira, impondo um andamento fortíssimo e destroçando toda a concorrência, inclusivamente Fernando Mamede, que entre o 8º e 9º quilómetro chegou a ter um atraso de cerca de 30 metros.
Nesse momento Lopes parecia caminhar de forma irreversível para a vitória e para o recorde mundial, passando aos 9 quilómetros com o tempo de 24,41,09m, menos quatro segundos e meio do que Rono tinha feito em 1978, e com Mamede ainda a cerca de 20 metros de distância.
Mas Fernando Mamede conseguiu recuperar arrancando para um último quilómetro feito no tempo fabuloso de 2,32,72m, os mil metros mais rápidos da história de uma corrida de 10 quilómetros, fazendo os 800 metros finais em 2 minutos.
A corrida decidiu-se a 500 metros do fim, quando Mamede ultrapassou Lopes e arrancou imperial para a vitória, fazendo-se valer da sua forte ponta final, para uma última volta percorrida 57,45 segundos, o que lhe valeu o novo Recorde do Mundo dos 10.000m com o tempo de 27,13,81m, destronando de forma clara a marca do queniano Henry Rono, que datava de 1978, e à qual retirou 8,69,s.
Carlos Lopes ficou em 2º lugar com o tempo de 27,17,48m, que passava a ser a segunda melhor marca mundial de sempre, retirando mais de 5 segundos ao anterior Recorde de Rono, e no final da prova não teve dúvidas em assumir-se como o grande responsável pelo êxito desta histórica corrida, pois tal só fora possível graças ao forte andamento que conseguira impor.
Pelo seu lado Fernando Mamede estava naturalmente eufórico e salientou o facto de ter conseguido resistir aos esticões de Carlos Lopes, para depois meter o seu andamento na última volta, onde quando conseguia chegar em boas condições era praticamente imbatível.
Este recorde mundial do sportinguista Fernando Mamede só seria melhorado 5 anos depois pelo mexicano Arturo Bárrios, e perduraria como recorde da Europa ainda mais 10 anos, até ser batido por António Pinto.

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